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"O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente... " Fernando Pessoa.
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:: Terça-feira, Janeiro 08, 2008 ::

Minha Culpa

Sou meia culpa... Um crime incompleto... De mãos dadas com a previsibilidade, exausta e entediada, mas com um toque de tão que inusitado, algo que surpreende até os mais detalhistas, determinados a se afirmar como donos de olhos que parecem caminhar à frente da multidão que se arrasta sem perceber que nada é invisível... Abandonada por si mesmo... Órfã de seus próprios vazios... Atordoada pelo barulho dolorido da porta ao bater consumando esta amputação... Sem cicatrizes mesmo assim... A memória é o mais ingênuo dentre nossas posses abstratas e tangíveis... Ela muda o passado, rearranja sonhos vencidos, em estado terminal, reforma a paisagem contida no seu futuro e vare pra baixo de tapetes, de salas que nunca serão lembradas, os pesadelos que não se contêm e acabam por sussurrar em nossos ouvidos nossa incapacidade de enxergar os caminhos que você almeja e que a cada dia se tornam mais inalcançáveis... Cada vez mais inalcançáveis, o suficiente manter o sonho de serem alcançados... Um pequeno peão que gira enquanto se pergunta porque faz isso, sem entender que girar é apenas viver... Sem entender que há um vazio que nos consola pelas perdas de coisas que nunca foram nossas... Portanto, não sou o único a ser meia culpa... Mas todos são únicos a abrigar o vazio que só a cada um pertence...

Oreste Lerna

- Do meu amigo Oreste Lerna, do blogger re-éevolução. www.reevolucao.blogger.com.br , um texto mais sentimental...




:: ARTURO TARDOZ 4:40 AM [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Novembro 29, 2007 ::
Uma Tarde Dessas

Cachorros latem numa tarde de uma quinta comum... Espantam o silêncio musical de meus ouvidos, mesmo sem tal intenção... Escuto as reclamações gravadas em um disco de dez anos atrás... Lamento solidariamente, ou pelo menos finjo sentir algo que realmente sinto... Invento minha melhor sinceridade e intensidade... Em poucos segundos, ao longo de uma frase bem escrita... O que foi feito de mim por tais palavras? Me sinto envolvido pela dor que não me pertence... Aquela que simplesmente desconheço... Nem hesito em tomá-la como minha... Um pequeno momento sem você, que acredito tocar minhas feridas de estimação... Enferrujo meus olhos na espera de som meu... Consigo tocar o dorso arrepiado dos cães raivosos em busca de algo para me tirar daqui... Um mordida sincera ou grunhidos de dor... Alguém precisa se ferir...

:: HITRO CARONTE 6:48 PM [+] ::
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Comments: :: Quarta-feira, Novembro 14, 2007 ::
Anatomia Fria De Um Corpo Vivo

Em cada poro teu vou deixar um segredo meu... Afogar teus suspiros com meu suor... Me diluir em teus lábios... Beber teu sangue em feridas novas, abertas por mim... Nas tuas costas, onde posso observá-las chorar e implorar por mais... Mais... E ainda assim, não será demais... Quero tua pele, teus olhos, tua boca, pendurados na minha parede para me servir quando eu quiser... Lamber teu sangue, quente, novo e descuidado, que escreve dores sádicas nas tuas coxas... Sou teu devorador... Sou teu maior erro... Sou a parte de você que deseja morrer lentamente... Sou o teu vazio ambulante, que se arrasta pelo teu teto, que disseca teu corpo com o olhar... Que arrasta correntes sujas de prazer despudorado de volta até sua cama... Uma mordida que quer apenas mostrar-te o quão belo a dor pode ser...

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:: NOAH PERDURABO 1:01 PM [+] ::
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Comments: :: Domingo, Outubro 21, 2007 ::
O Melhor Outono De Nossas Vidas

Este é o melhor momento de nossas vidas... Onde todas as nossas verdades estão, lentamente, desabando... Onde chove em qualquer lugar que estejamos... Onde sempre dói, e apenas pelo fato estarmos vivos... Esta é a época em que nada é completamente mentira... A época em que todas as verdades são dubitáveis... Todos os passos podem ser em falso... A insegurança é nossa única certeza... Os sonhos se confundem com os pesadelos e de repente tudo é uma grande traição... Ou, pelo menos, o medo de tal infeliz surpresa... É... É isso sim, tudo é medo... Medo, coberto de sombras... Densas e silenciosamente frias... Enquanto tudo morre, aumenta a certeza de que tudo é meramente passageiro... Numa época em que tudo nasce para, simplesmente, morrer... E, por mais trágico que pareça, esta ainda será a melhor época de sua vida... Um outono que cela as cores de primavera e do verão e anseia pelas lágrimas de um inverno, propositadamente, cinza e solitário...

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:: HITRO CARONTE 3:12 PM [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Outubro 18, 2007 ::
O Meu Recorrente "Sonho Lúcido"

Caído, perdido... Aqui está o que sobrou de um sonho... Migalhas, cinzas... Estes tempos, nublados e tempestuosos, não constroem meus melhores dias... Uma pequena casa que cai a cada dia que continua em pé... Silêncio, frio e vazio, em meus olhos... Talvez tenha chegado a hora de ir embora... Talvez seja tarde demais... E eu, sempre atrasado, sempre fora de mim mesmo... Desorientado pelos medos que caminham pelo meu quarto... Sou apenas os meus dias ruins... Sou apenas meus passos errados... Sou apenas minhas sombras e meus pecados... A réstia de luz que guiava meu olhar se escondeu por trás das mentiras que crie para parecer alguém melhor do que sou... Então, desisto das últimas palavras desta, pois não consigo mais escreve-las, por simplesmente não saber onde cultiva-las...

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:: NICHOLAS VURMO 4:04 PM [+] ::
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Comments: :: Sábado, Outubro 13, 2007 ::
Esperança

Nós nunca vamos esquecer, e nem vamos querer lembrar... Meus olhares são seus e entregam meus sentimentos mais frágeis... Nós nunca teremos a nossa canção... Nem as nossas fotos... Somos fantasmas, mortos-vivos em dias que giram ao redor de uma desejada e detestável despedida... Somos a fraqueza um do outro... E esta noite, somos uma mágoa que ainda está por vir... O fim, certo e certeiro, para nós, mais para nós que para os outros... Sou teu vazio... Sou a tua rosa, neste momento a favorita, que tem os dias contados para morrer... Como não me sentir tão passageira assim? Como evitar as próximas lágrimas? Me diz como posso não sofrer com o raiar, ainda um pouco distante, de um simples adeus? Me diz como não morrer aos poucos assim... Me diz como não me tornar uma mera conhecida? Porque eu já posso ver minhas palavras se apagarem, uma a uma, nos papeis em que tentei escrever meu coração pra ti... Consigo ver a lembrança que terei do último olhar sincero e intenso que você me deu, roubando o resto de vida que haverá dentro de mim...

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:: ANNA QUENTIN 4:06 PM [+] ::
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Comments: :: Segunda-feira, Setembro 10, 2007 ::
O Sóbrio Entorpecer De Um Talvez Certeiro E Único... Peculiar Aos Que Nascem E Morrem, Nos Poucos Dias Em Que Vale A Pena Acordar

E eu, seria apenas uma aberração que também bebe água? Seria eu um escuro sobreposto na escuridão vasta, que soa infinita? Ou apenas uma mosca, que pousa na pele suada e exausta de uma tarde fervente? Um pequeno e quase insignificante incômodo... Quase ignorável... Quase nada... Quase eu mesmo... Quase... E apenas isso... Nada além de uma cópia barata do que almejo... Apenas passos solitários numa noite comum... Nada de novo... Nada de surpreendente... Talvez, nem isso... Quase isso... Um pesadelo onde não consigo nem ser o que não queria... Onde não consigo nem ser o que mais temo... Sou pupilas curiosas e divagantes... Sou os milhares de sonhos esquecidos a cada amanhecer durante uma vida inteira... Mas não sou o esquecimento, que sempre faz questão de deixar a vida passar... A chama de um pesadelo vivo, sóbrio e delirante... Simultaneamente, como uma mentira que se contradiz a cada momento que se cala... Como uma verdade que se revela falível a cada dia que é dita... Uma contradição plausível...



:: NOAH PERDURABO 4:11 AM [+] ::
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Comments: :: Domingo, Agosto 26, 2007 ::
Enfim...

Caí num futuro vazio e sem esperanças... Sangrei todas as gotas, cada uma como se fosse única... Calado... E entre uma dose e outra de consolo consigo respirar... Abandonei minha paz e comprei novos espinhos para minhas noites... Gravei o som de sua voz sussurrando verdades insuportavelmente dolorosas... Devorando minhas certezas, moendo e cuspindo meu mundo aos pedaços... Corroendo o tempo... Mudando os espaços de lugar... Enfim, tudo que é necessário para dar vida a um bom pesadelo...

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:: HITRO CARONTE 5:29 PM [+] ::
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Comments: :: Segunda-feira, Agosto 06, 2007 ::
Os Seis

Por mais estranho que pareça... Por mais incompleto e clichês que seja... Os seis se merecem... Os seis que são dois... O dois que sou eu... Eu que não sou seis... Sou ilógico e confuso... Longe daqui... Essencialmente invisível... Insensível... E qualquer um pode perceber, mesmo à distância, quando vou me embaçando em pensamentos opacos, mas intensos... É neste instante que me perco... E surge, então, o medo de me reencontrar aos pedaços... Tão aos pedaços que nem me reconheça mais... Tão aos pedaços que seja apenas um espectro daquilo que um dia ainda se sentiu livre para sonhar... Daquilo que num tem mais nem forças para apagar as cicatrizes em forma de seis.

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:: HITRO CARONTE 2:29 PM [+] ::
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Comments: :: Segunda-feira, Julho 30, 2007 ::
Os Alvejantes

Melhor do que qualquer eu que eu puder imaginar... Aqui estou... Verde claro... Inteiro... Intenso e momentâneo... Agora... Aqui... Em um segundo... Um em piscar de olhos... Correndo... Mordendo o ar que entra por entre meus dentes... Sou fúria... Furor... Enquanto os deuses estão dormindo, posso tirar a máscara... E mentir para um espelho que não reflete meus olhos... Atento... Estarei lá na hora marcada... Sim... Meu jogo não possui regras... Vendi minha alma para não perdê-la... Compartilho da lama que me custou uma noite... Noite cara... Aposto que você não sabe o que quero dizer... Pensa que falo de você e suas palavras... Agora, sim, sou alguém que não precisa pedir desculpas...


:: NOAH PERDURABO 2:41 PM [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Julho 26, 2007 ::
Todas As Mentiras

Bem que seria interessante te ver correr para impedir minhas palavras perfuro cortantes de te fazer sangrar... Um esforço em vão... Só vai aumentar a fragilidade de teus olhos, pobre diabo... Assim não vale mais a pena falar nada... Olhe a seu redor e procure alguém sem cicatrizes... Procure um imortal... Sangre, sangre... Traga-me algum arrependimento... Faça algo novo... Não seja previsível... Não se mate antes de eu tocá-la... Não desvende segredos onde não tem... Não sangre antes da lâmina te tocar... Venha cá, aproxime-se de mim, deixe-me cheirar seu medo... Deixe-me desejar sua dor... Deixe-me comer suas palavras, desesperadamente, como se fosse a você mesma... Deixe-me soprar desejos nas suas feridas mais recentes... Deixe-me te fazer confessar mentiras, só algumas... As mais superficiais... As mais esquecidas... Mas nunca, nunca, me conte todas...



:: ARTURO TARDOZ 4:44 PM [+] ::
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Comments: :: Quarta-feira, Junho 13, 2007 ::
A Tua Paz

Meu destino voa... Solto... Feito maré de ressaca... Se choca, parece revolta... Grita e chora... Sorri... Tudo ao mesmo tempo agora... Afunda... Cresce... Suja e lava... Banha... Batiza... Esquece as cicatrizes e mergulha em busca de algo mais forte... Dói, vicia... É doido varrido... Desgarrado... Perdido e achado, entende? Futuro e passado, presentes... Aqui ardentes... Impacientes... Latentes... Pertinentes... Sou destinada a desejar... Convidada a destinar... Fugir, gritar... Sou liberdade a pulsar... Pular, no abismo de mim mesma e sentir o que é ser tudo e todos... Ser cada esquina da noite silenciosa de mãos dadas que se vão... Sou olhar... Apenas um segundo intenso... Perigo... Veneno que sempre quase mata... Que morro... Sempre... Quase... Vem te achar em meus olhos... Tenho a frase exata para acalmar teus segredos que nem sei mais... Tenho a tua paz...


:: ANNA QUENTIN 3:51 AM [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Junho 07, 2007 ::
Seja Como For

Parar balas de prata nunca foi minha especialidade... No solo que tenho pisado, se movem rápido... Tenho calafrios ao dar passos atrás... Tenho pesadelos no dia-a-dia de uma cidade familiar demais, onde não há mais nada a descobrir... Nenhuma nova sombra... Nenhum esconderijo... Nenhuma bala que possa me ferir bem, mas todas tem o gosto enferrujado de mesmisse... Uma tentação que já perdeu a graça... Um pecado de fácil perdão... Uma mentira que num engana ninguém... Desta morte não quero flores, nem caixão... Quero criar minhas próprias balas... Quero destruir meu próprio lar... Quero acabar com a minha própria vida... Quero morrer minha própria morte... Amarga como for... Rápida ou lenta, tanto faz... Sublime ou banal... Seja como for, balas de prata e espelhos sinceros demais nunca foram minha especialidade...

. (... e ponto final?!)
:: HITRO CARONTE 10:32 PM [+] ::
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Comments: :: Domingo, Maio 27, 2007 ::
Para Alguém Que Desisti

Nas luas mais belas... Nos melhores momentos de uma noite pela rua... Você me aparece... E faz questão de me lembrar as frases mais sinceras que escrevi pra ti... Mas eu desisti... Acredito que sim... Covardemente, ou não, acho que desisti... Há muros que não podem ser derrubados... Há palavras que não são ouvidas... Há olhos que não me olham... Mas ainda quero... Quero sim... Muito... Tanto, que me dói desistir... Me dói não tentar mais... Enfim, teus olhos só espelham a minha dor e minha fraqueza... O resto se torna invisível... Na sua presença, sou pequeno... Sou, apenas, alguém que desistiu...

... ... ...


:: HITRO CARONTE 3:31 PM [+] ::
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Comments: :: Sexta-feira, Maio 11, 2007 ::
A Caminho Do Ralo

O sangue pinga... Faz seu caminho até o ponto mais baixo do chão... Foge de mim, como quem teme ser pisado... Cachorro acuado... Afasto-me, respeito seu espaço... Volto ao quarto e ligo a televisão... Um programa no mudo dita a cor das paredes... Silêncio... O cheiro de ferrugem, ausente, se anuncia nos ventos que sopram timidamente e entram por entre meus cabelos... Espalham-se por trás dos móveis e catam o ar mais puro, mais fiel, só por pura perversão... Brincadeira perigosa essa sua... Vinte e um segundos... Vinte e uma janelas que não deviam ser abertas... Tarde demais... Tentação eminente e pulsante... Observo a ânsia da carne... Tensão... E só observo... Não me atrevo a alterar o curso destas coisas... Deixo passar... Olhos nos olhos... Não há nada a dizer... E tudo que puder ser dito não será ouvido... Fato consumado...

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:: ARTURO TARDOZ 2:33 AM [+] ::
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